Da Cia. de Teatro D`Loucos surge o Boi D`Loucos; ambos os grupos tem como coordenador e mestre o brincante popular Carlos Amorim. Na esteira das ações e montagens da Cia. de Teatro, e do olhar atento para os brinquedos populares, a companhia monta um espetáculo teatral chamado O Desejo de Catirina.

Ao realizar as apresentações Carlos relembra dos diversos comentários de que o que o grupo estava realizando era sim um auto do bumba-meu-boi genuíno; envolvendo os elementos deste brinquedo popular como o enredo com  a morte e a ressureição do boi. A montagem do O Desejo de Catirina é o marco da fundação do Boi D`Loucos.

O Boi D`Loucos tem como data de fundação 16.12.2005 atuando nos diversos ciclos festivos e culturais do Nordeste, como o carnavalesco, o junino e o natalino. Carlos aponta a importância de um investimento no folguedo para que os grupos de bois tenham possibilidades de apresentação nos três ciclos por ele citado.

O coordenador do grupo, destaca que a tradição do bumba-meu-boi, tanto na região metropolitana do Recife como em outras regiões de Pernambuco, está intrinsicamente relacionada aos aspectos culturais e religiosos; em alguns grupos este aspecto religioso é bem forte e permeado de símbolos sagrados como a calunga. No caso do Boi D`Loucos, a nossa característica é mesmo como um brinquedo, como uma expressão popular, que é o bumba-meu-boi, do qual montamos o espetáculo e desenvolvemos todo o enredo peculiar e com os personagens que fazem parte do mesmo.

Carlos Amorim, que é atualmente vice-presidente da FECBOIS, aponta o trabalho que a federação vem realizando para preservação e continuidade deste brinquedo popular. Inclusive tem seguido tentando para que mais grupos participem do concurso de bois realizado pelo município do Recife – PE, há um tempo atrás participavam do concurso apenas cinco grupos, hoje esse número tem aumentado significativamente, e já se tem mais de vinte grupos participantes. Entretanto, para os bois participarem do concurso do carnaval do Recife é criado algumas normas e regras, e com isto percebemos, que há alguns conflitos culturais que envolvem as nuances culturais e artísticas de determinados grupos, como por exemplo, há os bois de caboclinhos, há os que utilizam a corneta como parte dos instrumentos e da característica sonora – por isso importância de eventos como o Encontro de Bois onde cada grupo se apresenta livremente.

Ao falar que a luta continua independente de quem assume os poderes públicos, Carlos enfatiza que os grupos devem estar alinhados para a exigência dos direitos sobre a preservação e manutenção dos diversos grupos de bumba-meu-boi.

Carlos faz o Mateus e se sente muito feliz em vivenciar este personagem. Conta que começou fazendo o boi e que, debaixo do boi, foi onde aprendeu a observar os personagens – debaixo do boi é uma grande escola para aprender como funciona esse enredo, esse fantástico brinquedo popular. Carlos Amorim, deixa como pedido às futuras gerações, que se apropriem da cultura e das expressões culturais – a cultura popular é a sua e a nossa identidade, preserve-a, use-a, participe e fortaleça.


Presidente: Carlos Amorim

Endereço: Rua Etiene Gomes, 104 – Beberibe – Recife / PE – Cep: 52.131-679

Telefone: (81) 987091294