Localizado na Mata do Ronca está o Boi Mandingueiro, um Boi ainda novo, pois o brinquedo tem uns dois anos, mas é um Boi com bases culturais tradicionais sólidas, embora esteja aberto a novas adaptações como é próprio da cultura popular. Tem como presidente do bumba-meu-boi uma mulher, Andrea Oliveira Araújo (47 anos). Esse brinquedo já demonstra uma quebra de paradigmas já que tradicionalmente, ainda, os bumba meu boi sejam presididos por homens. Mas o Mandingueiro veio para mostrar que, independente de gênero, o que deve prevalecer é o amor a brincadeira e a vontade de mantê-lo vivo e reconhecido como importante brinquedo popular. Como tem demonstrado a presidenta do Boi Mandingueiro, que tradicionalmente o brinquedo, em sua grande maioria, seja presidido por homens, com o Boi Mandingueiro tem sido diferente, mostrando que as mulheres também tem espaço, vez e voz.

O protagonismo feminino não tem sido à toa, como diz Andrea: “As mulheres vêm aqui tomando a frente. Só as mulheres que estão no dia a dia limpando a sede correndo atrás. A presidenta tem sua importância no dia a dia, na luta.”

A presidenta do boi mandingueiro ao lado do seu companheiro Genivaldo Basílio que também é o mestre de percussão e grande articulador cultural do Boi tem um histórico de atuação na cultura popular. Tanto Andrea quanto Genivaldo há tempo apresentam uma vivência cultural tanto em atuar, quanto em dar formação a adolescentes e jovens. Ambos faziam teatro de rua pelo GTA – Grupo de Teatro Amador e em suas constantes emersões na cultura popular pôde beber em várias fontes. Como diz Genivaldo, eles buscaram sempre se aperfeiçoar e ouvir, viver os vários brinquedos. No teatro de rua eles já tinham boi, mas não bumba-meu-boi, exatamente, apenas um boi como elemento de figuração teatral. É claro que tanto Genivaldo quanto Andrea, em suas inquietações artísticas, sentiam a necessidade de buscar mais, um constante aperfeiçoamento e diversificação do fazer cultural. Conheceram e pesquisaram sobre a obra de Hermilo Borba Filho: “Apresentação do Bumba-Meu-Boi”. Mas isso não era o suficiente… como verdadeiros brincantes entusiasta da cultura, envolveram-se também com outras linguagens da cultura popular como capoeira frevo, cavalo marinhos entre outras.

Nunca deixaram de visitar e aprender com os outros grandes mestres da cultura popular e do bumba-meu-boi mais especificamente, como o consagrado Mestre Caboclo, presidente do Boi Marabá de quem Genivaldo é amigo e admirador. Foram nessas vivências do fazer e aprender cultural que em um certo dia Genivaldo e Andrea tiveram uma conversa com outro grande Mestre da cultura popular e do bumba-meu-boi, Valter Libânio, mais conhecido como, Mestre Vavá, do Boi de Mainha. Ele lhes disse: “Por que vocês não fazem um boi? Olha, vocês estão envolvidos com boi só que o boi no palco, no teatro”. Daí para a criação do Boi Mandingueiro foi questão de pouco tempo. Pois, instigados pela provocação assertiva de Vavá, Andrea e Genivaldo se empolgam e começaram a discutir entre eles como fariam esse boi.

De forma democrática Andrea e Genivaldo reuniram o seu grupo para juntos acharem o nome do boi. Primeiro pensou-se em Boi da Mata, mas esse boi já existe. Depois pensou-se em Boi da Mata do Ronca, mas esse nome ficava grande demais para o brinquedo. Até que se chegou a Mandingueiro. O que soou bem para todos. Mas o que vem a ser mandingueiro? Qual é o sentido desse nome para o brinquedo? Tanto Genivaldo quanto Andreia fazem capoeira, capoeira de nação Angola, na Cidade Tabajara esse termo já lhes era comum, tanto na capoeira, como nas tradições religiosas de matriz afro. Mas não foi bem por esse sentido semântico que o boi tomou o nome de Mandingueiro. Embora, esse termo como diz Genivaldo, os leve a uma memória afetiva, o termo “mandingueiro” foi escolhido por que traz um sentindo muito pertinente a natureza cultural do grupo de bumba-meu-boi: Boi mandingueiro no sertão é um boi que não aceita corda e que nem sempre acompanha a manada. É aquele boi arisco, que foge para a caatinga e dá muito trabalho ao vaqueiro. Ou seja, mandingueiro não aceita imposições nem tão pouco baixa a cabeça diante de atitudes erradas ou antiéticas. Com isso, todos concordaram que o nome do boi seria Mandingueiro nascendo assim, o Boi Mandingueiro, que embora ainda novo, já provoca muitas reflexões e quebra de paradigmas.


Mestra e Presidenta: Andréa Oliveira Araújo

Mestre: Genivaldo Basílio da Silva

Endereço: Mata do Ronca – Divisa Recife e Olinda – PE

Contatos: (81) 985751113  (81) 985792289