BOI DE MAINHA
O BOI DEU UMA FESTA
PARA O POVO ESPIAR
A CORTE CONVIDADA
PARA O BOI SE APRESENTAR
REIS BATUCANDO
RAINHAS A CANTAR
É O INÍCIO DA FESTA POPULAR
(Exaltação ao Boi – Mestre Vavá)

O Boi de Mainha foi fundado em 26.02.1995 e tem como seu mestre o Vavá – Valter Libâneo da Silva. O surgimento do Boi de Mainha se dá por meio de um fato ocorrido na própria rua do Mestre Vavá no bairro do Ibura em Recife – PE. Vavá nos relata com emoção sobre tal fato: Num domingo de Carnaval, colegas e familiares estavam a celebrar o carnaval e daí aparece um boi na rua, não se sabia de onde viera e a quem pertencia o animal. O boi vagando pelas ruas do bairro, derrubava algumas coisas que via pela frente e revira os lixos. Tinha um menino com apelido Pão com Manteiga, e, ao ver o animal, começa a chamar por sua mãe: Mainha! Mainha! O boi, mainha!
Passado o ocorrido, envoltos a alegria do carnaval, o pessoal se animou, pegou uma caixa, fez um boi e juntaram baldes e alguns instrumentos, e saíram tocando e gritando: É o boi! É o boi! É o boi de mainha que já vem! E foi aí que floresce no dia 26.02.1995 numa brincadeira de carnaval o Boi de Mainha. Dentre os amigos, Vavá destaca que a parceria com o colega Dito e com Dona Maria (hoje já não está mais entre nós) foi muito significativa para o incentivo na constituição e continuidade do boi por todos esses 26 anos.

O mestre Vavá, ao falar da brincadeira do boi, ressalta a relação do homem com a terra, e principalmente em Pernambuco, nas zonas rurais e nas regiões do campo. Vavá afirma sobre a importância do boi na narrativa do brinquedo, uma vez que não existe Bumba-meu-boi sem o boi, é a partir do boi que toda a história se desenvolve e toma corpo e se desvela por meio de um espetáculo popular de música, teatro e dança com personagens como o Mateus, a Catirina, o Capitão e o Bastião – componentes que também não podem faltar. Uma característica do boi é que é uma brincadeira que se dá em roda, uma roda de interpretação, e o povo roda em torno do boi – ou seja, a presença da circularidade também neste brinquedo popular.

O mestre do Boi de Mainha, destaca ainda a diversidade que se manifesta nos diferentes grupos de boi, e dá como exemplo, as diferenças ao denominar o brinquedo considerando algumas regiões de Pernambuco, a saber: Recife se denomina Bumba-meu-boi, em Camaragibe temos a Sambada de Boi, Zona da Mate e Norte tem boi de caboclinho, boi rural e boi de corneta, em Caruaru o Boi de Bandeira, tombou pra Bonito é Boi Lavrado, em Arcoverde e região se chama Folia de Boi e, por aí vai.

Em uma apresentação/brincadeira de boi se pode ter 30 pessoas ou até mais de 100 pessoas, que se dividem entre os personagens Animais, Humanos e Fantásticos/místicos
Vavá fala que desde o início sempre faz o Mateus como personagem. Nestes 26 anos muitas Catirinas, Bastiãos e Capitães. No boi de Mainha quem chama a brincadeira é o Mateus; mas Vavá chama a atenção que há diversidade entre os grupos de bois no que diz respeito a quem conduz o enredo da brincadeira.

Na comunidade, o boi de Mainha envolve crianças, jovens e adultos. As decisões são coletivas junto a um grupo menor que ajuda a organizar a agremiação. O Boi de Mainha se preocupa com as questões sociais e de resistência cultural na comunidade. Um boi, por exemplo, pode fomentar ações como cursos para valorizar as pessoas da comunidade. Dentre os diversos cursos já realizados, o curso de costura, uma vez que como chama a atenção o Mestre Vavá, as costureiras de fantasias estão morrendo. Outra ação que envolve a coletividade e a participação da comunidade se dá por meio de concursos, como para as músicas como para frases e temas. É preciso a participação da comunidade, dos envolvidos com o grupo, ou seja, a perspectiva da coletividade, por que se não for assim, o grupo morre!

Mestre Vavá destaca como dificuldade número um o envolvimento com políticos que usam do brinquedo para interesses pessoais, e em contrapartida não há apoio do poder público com a cultura popular. Além da questão financeira que tem que ser muito transparente. Seja transparente nas suas finanças – senão o grupo acaba rapidinho.
Como mensagem deixa as afirmativas: Funde um bumba-meu-boi! Faça você! Veja o que os mestres estão falando, escute-os! Construa, funde e tenha seriedade com o que está fazendo! Goste da cultura popular e que o boi, de geração em geração, nunca se acabe.

Com o sentimento de gratidão, Mestre Vavá nos apresenta esta rima:

Se esse boi soubesse a força que tem
E se esse povo que está aqui nos assistindo
Soubesse a força que tem
Juntando a força desse boi
E a força desse povo
A cultura popular e a Educação desse país
Seria outra coisa
Mas esse danado desse boi
Não sabe a força que tem
Nem esse povo que está aqui presente
Sabe a força que tem
O que é que nos resta Catirina? o que é que nos resta?

 


Mestre: Valter Libânio da Silva

Endereço: Rua Rio Moxotó, 108 – Ibura – Recife – PE. CEP: 51220-040

Contatos: (81) 988745881 (81) 987566290