Encabeçado pelos irmãos Hermes e Fernando, o Boi Manhoso existe desde 1935. O próprio Boi Manhoso tem fatos interessantes em sua história, pois esse Boi vem, de acordo com Hermes, de uma dissidência que houve com um Boi mais antigo que é o Boi de Antônio Pereira. Essa narrativa se dá pelo que chegou aos ouvidos de Hermes, ex-presidente do Boi Manhoso e que repassou a presidência para Fernando, seu irmão. De acordo com fatos narrados pelo próprio Hermes houve uma dissidência no grupo do Boi de Antônio Pereira, que por sinal era um dos mais antigos bumba-meu-boi de Recife.  Devido ao conflito e racha, vários integrantes do antigo grupo sentiram a necessidade de montarem um novo boi, surgindo daí o Boi Manhoso, que a princípio, iria se chamar Boi Branco da Mustardinha. Quando foram ao cartório para fazer o registro do novo boi souberam que havia registrado um outro folguedo, um urso, cujo nome era: Urso Branco da Mustardinha e, que de acordo com rumores, também foi fruto de uma dissidência do Boi de Antônio Pereira.

E diante dessa descoberta, por questão de quererem um nome que não parecesse ser derivado de nenhum outro brinquedo foi que, em 12 de fevereiro de 1935, na rua Goiana S/N, foi fundado o Grêmio Recreativo Cultural Boi Manhoso ou, como simplesmente é conhecido na comunidade, Boi Manhoso.

Esse boi passou por várias pessoas e depois de muitas pelejas foi repassado das mãos de Valdemir para Hermes e dessas para Fernando, seu irmão, que é o atual presidente do brinquedo.  Mas, como todo bom brincante, Hermes jamais deixou de, junto com Fernando, coordenar a brincadeira do Boi Manhoso. Ele mesmo, diante de suas experiências com os vários folguedos da cultura popular, ainda dá muitas orientações ao atual presidente do Boi, que ainda inexperiente no folguedo ver de muito bom grado os seus conselhos. E assim, juntos, os irmãos vão botando na rua, um Boi tão importante como é o Boi Manhoso.

Trabalhar a brincadeira do bumba-meu-boi não é nada fácil. Mas, como passa o próprio Hermes, um trabalho tão rico, e bonito e ao mesmo tempo árduo, requer muito amor e paciência. Além também da questão financeira, há também a questão do reconhecimento e valorização da cultura popular, por dentro das comunidades muitos jovens não se sentem atraídos pela cultura do bumba-meu-boi. Muitos jovens, por não entenderem o valor da cultura popular se veem mais atraído por movimentos de dança como o “passinho”, que de acordo com o Hermes, não só tem rivalizado com as danças da cultura popular, como a do bumba-meu-boi, como tem feito muitos jovens desconhecerem o valor de tais brincadeiras. O presidente do Boi Manhoso, Fernando, até tem se esforçado para trazer muitos jovens das comunidades para participar do brinquedo, mas de 100 que são convidados não aparecem mais do que 10. E muitos ainda desconhecem praticamente, a cultura do bumba-meu-boi. Aí, é quando tem que se fazer um trabalho de educação histórica, musical, de dança do bumba-meu-boi. É um trabalho pedagógico e cultural forte, mas que leva um certo tempo e, de acordo com o próprio Hermes, que foi prejudicado por causa desse momento de pandemia. Mas os irmãos não desanimam, mesmo com grandes dificuldades, há nisso tudo o amor ao bumba-meu-boi, a cultura popular. Como afirma o atual presidente do Boi Manhoso, Fernando: “É a nossa cultura, a cultura pernambucana, e a gente não quer deixar morrer essa cultura tão bonita.”

E como todo bom brincante que tem sua história de início em qualquer folguedo com os irmãos não podia ser diferente: O atual presidente do Boi Manhoso, Fernando, que ainda é novo no fazer do folguedo popular bumba-meu-boi, ainda está se adequando a esse universo tão rico. Mas já compreendia muito bem, o quanto essa cultura é importante e o quanto deve lutar para continuar, junto com seu irmão, o brinquedo Boi Manhoso: “Continuar com a cultura do Boi Manhoso, com apoio do meu irmão, até onde Deus permitir! valorizar muito nossa cultura e tira muita gente, muito adolescente do meio da rua. Chamar para a cultura pernambucana.”

Já Hermes, que foi o presidente do Boi Manhoso anteriormente a Fernando, e que por sua vez, teve esse boi repassado por Valdemir, se envolveu com tal brinquedo por causa dos seus seis filhos. Ele viu no folguedo uma poderosa ferramenta para afastar seus filhos, de acordo com ele: “da influência sinistra da comunidade onde viviam.” Pois, sabia que o foguete poderia muito bem ocupar suas mentes com a cultura forte que os ajudaria a ter uma formação cidadã e de pertencimento a cultura popular. No começo conseguiu convencer o primeiro trazendo os outros em seguida.

Fazendo um trabalho com a percussão, com instrumentos como surdo, tarol, gonguê, reco-reco etc, pôde cativar o interesse dos seus filhos para o universo mágico do bumba-meu-boi. Sua própria trajetória, enquanto brincante, vem do maracatu que, com orgulho, já ensinou. Tanto o maracatu de baque solto, quanto o maracatu de baque virado. Depois foi adentrou o universo do samba participando de uma escola de samba chamada Acadêmicos do Cordeiro e finalmente abraçando o brinquedo do bumba-meu-boi, por meio do Boi Manhoso. Tanto Hermes, quanto Fernando reconhece que é uma tarefa muito difícil manter o Boi na rua, por questões, principalmente, de cunha financeiro, mas que mesmo assim, os irmãos lutam incansavelmente para continuar botando o Boi Manhoso na rua custe o que custar!

Como o capitão Boca Mole, dono do terreiro e da festa e que se apresenta com pulso forte para tudo na festa transcorrer bem, assim também se sente Hermes na sua incansável luta para a manutenção do boi. Como bem fala fazendo menção e analogia ao personagem do bumba-meu-boi com o qual mais se identifica e seu sentimento de pertencimento ao Boi Manhoso:

“Eu me identifico com o capitão porque o capitão, ele já tá dizendo, né? O capitão é como se fosse um responsável também por ali, pela questão do Boi. O capitão é aquele que tá no cavalo, ele tá sempre monitorando, ele canta, ele dança, ele representa, ele apresenta entendeu? É isso.”


Presidente: Hermes e Fernando

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