Localizado em Jardim Monte Verde, Ibura, está o Boi Tatatá, cujo presidente é Érick Nibbering Pinto, ou simplesmente Érick. O mestre Érick é um grande brincante, entusiasta do folguedo bumba-meu-boi. De acordo com o Érick o bumba-meu-boi é algo extraordinário, em suas palavras o brinquedo do boi é mágico! E o boi, para ele, é algo tão importante que, de acordo com as suas próprias palavras ele encontrou no folguedo a sua própria felicidade. Érick, como todo bom brincante, tem sua história de vivência por várias brincadeiras da cultura popular, inclusive ter criado um grupo de dança, mas o fato de ter conhecido o bumba-meu-boi fez com que ele se voltasse para o brinquedo com muito mais paixão, muito mais vontade de se envolver e viver a cultura popular.

E como todo mestre do bumba-meu-boi, Érick fala do que vem a ser o boi e suas raízes, na representatividade das pessoas simples e sua relação com os mais diversos elementos que simbolizam os valores humanos ou seus saberes ancestrais. Saberes esse que, até de maneira alegórica, traz no sobrenatural, por meio de personagens, a riqueza folclórica da cultura popular. Assim, como bem diz o brincante Érick, o bumba-meu-boi está dividida em três tipos de personagens: os humanos, os animais e os fantásticos.
Os humanos são representados principalmente por: Mateus, Catirina, Bastião, o capitão Boca Mole, esse dono da fazenda onde se desenrola o folguedo e dono do boi, personagem central do brinquedo, o padre, doutor Penico Branco entre vários outros.
Os animais: o Boi, que como já dito, é a figura central do folguedo, a Ema, a Burrinha, a Cobra entre vários outros.
a Caipora, o Babau, o Diabo, o Jaraguá, o Morto-Carregando-o-Vivo, o Anjo entre vários outros.
É importante salientar que, embora, o bumba-meu-boi tenha muitos personagens em sua evolução como de carnaval, não é comum os mestres de bumba-meu-boi usarem todos os personagens. No próprio livro “Apresentação do Bumba-Meu-Boi” de Hermilo Borba Filho, há entorno de 78 personagens classificados em três tipos, já mencionado anteriormente. E que fica a critério de cada mestre que personagens usar no brinquedo, mas apresentando sempre alguns que demonstram ser os principais para a evolução do enredo como Mateus, Catirina, Bastião, Capitão Boca Mole, o próprio Boi, o diabo, o anjo, a Ema, o Morto-Carregando-o-Vivo, numa evolução menor do brinquedo para adequar-se as apresentações em época de carnaval. Toda essa riqueza fez com que Érick procurasse criar o seu próprio bumba-meu-boi, o Boi Tatatá, já que ele vivenciava as danças populares e tinha um grupo de dança.

A origem do Boi Tatatá se deu a partir de uma conversa que teve com Aelson da Hora, presidente da FECBOIS-PE (Federação de Bois e similares de Pernambuco), isso se deu quando ele foi a uma reunião na FUNDARPE, lá Aelson lhe pergunta: “Por que tu não fazes um boi de carnaval?” Essa pergunta fez com que Érick ficasse mensurando, conversando com colegas que também já faziam cultura popular. É claro que no começo não foi fácil. Houve algumas dificuldades até para fazer o estatuto do Boi Tatatá. Entre convites, descréditos e parcerias aí está o Boi Tatatá, forte, guerreiro e agregador, como diz de forma entusiasta o próprio presidente Erick numa parte da letra da música do Boi Tatatá: “lindo, charmoso e maravilhoso.” Esse é o Boitatá que fundado em 2007 passou por várias provas de resistência para mostrar ao que veio e que também é um grande campeão da cultura popular. Há dois momentos em específico que ficaram extremamente marcantes para mostrar o quanto esse Boi é valente e não está para esmorecer diante das muitas dificuldades, como bem diz o próprio Érick:
“A gente chegou lá na rua San Martins e tinha um trio elétrico atravessado no meio da rua e a gente ia participar do concurso lá na Avenida do Forte. E aí, eu lá agoniado, aperreado pra a gente poder passar, o ônibus com todos os integrantes, inclusive o Boi na mala, pra a gente participar e o horário correndo e eu pedindo a Deus, Papai do céu, me ilumina, para que esse trio elétrico saia da frente e graças a Deus ele saiu da frente, nós chegamos a tempo, conseguimos entrar e ser campeão naquela época e subir de grupo.”
“O segundo momento que foi agora, em 2019, uma coisa hilária, foi uma coisa muito cheia de entraves, a gente já saiu meio que aperreado já que a gente tinha caído de grupo de novo, e aí, a gente foi pra avenida, levou o Boi, quando chega lá na avenida, a cabeça do boi começa a se desmilinguir e eu fiquei aperreado, lógico! Os integrantes não tem nada a ver com isso não. Quem tem a ver é o presidente que bota o boi na rua. Então, eu corri, graças a Deus eu encontrei uma alma caridosa, que foi Miminho, lá da Federação Carnavalesca, que me emprestou uma roda de arame e um alicate, amarrei a cabeça do boi, amarrei mesmo, segurei, me pendurei, mas a cabeça não caiu, graças a Deus! E fomos lá para luta, levamos lâmpadas de led, quando a gente começou a chamar os personagens para ressuscitar o Boi cada personagem que entrasse ligava a lâmpada de led, fazia o seu texto e aí, por último, quando a gente ressuscitou o Boi:

“ressuscita meu boi, ressuscita meu boi, ressuscita meu boi, meu Boi Tatatá, que o povo veio aqui, quer ver você dançar, que o povo veio aqui quer ver você dançar.”
Quando o boi ressuscitou, as lâmpadas de led adentraram naquela pista maravilhosa e os jurados ó, bateram palmas. Graças a Deus, nós fomos campeão e hoje estamos no grupo de acesso.
Como diz com grande entusiasmo o presidente do Boi Tatatá Erick: “Nem um boi é igual ao outro, ou seja, o meu Boi ele é único! É um boi único!
Você não vai encontrar um boi parecido com o meu, assim como os outros bois. O Boi de Mainha, o Boi Faceiro, o Boi Malabá. Então, todos eles têm características únicas! O Boi Tatatá é um boi novo, bonito, charmoso e maravilhoso!”
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